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História

Alcanhões teve, claramente, a presença dos romanos, dados os vestígios que apresenta. Na parte norte da vila encontram-se ruínas daquilo que foram balneários tipicamente romanos. Foi também ocupada pelos mouros antes da conquista de Santarém, local onde já existia uma povoação.

No século XII, Alcanhões fazia parte da freguesia de São Mateus, tal como o bairro ribeirinho da cidade de Santarém.

No século XIV, aquele lugar teria servido de ponto de encontro da Corte Real, destacando-se a sua presença sobretudo nos reinados de D. Pedro I e D. Fernando nos Paços Reais de Alcanhões, como comprovam as crónicas de Fernão Lopes.

Foi aqui, em Alcanhões, que se acordou a paz com Castela e Aragão numa situação de grande instabilidade política no reinado de D. Fernando. Foi também aqui que se engendrou o plano definitivo para o assassinato de D. Maria Teles, que era casada com o infante D. João (filho de D. Inês de Castro e de D. Pedro I) e que era irmã da rainha D. Leonor Teles. A herdeira do trono era D. Beatriz, filha do rei. O assassinato não passava de um pretexto para celebrar o casamento entre o infante D. João e D. Beatriz e, assim, estaria encontrado o herdeiro ao trono. Então, o infante D. João, antevendo a possibilidade de vir a ser Rei de Portugal, decide matar a sua própria mulher, D. Maria Teles em Coimbra. E assim, partem de Alcanhões, onde delinearam o plano definitivo para o assassinato da irmã da rainha D. Leonor, "às pressas". Por este motivo é que, ainda hoje, as pessoas naturais de Alcanhões são adjetivados de "apressados" e com tendência para fazer tudo imediatamente.

Nos finais do século XIV, a antiga residência real era conhecida por "Paços Velhos de Alcanhões", devido ao seu avançado estado de degradação. Foi D. Manuel I que doou a propriedade a D. João de Meneses, mordomo-mor do reino de Portugal que exigia o pagamento de dois frangos por altura do Natal como renda, existindo ainda uma cláusula que obrigava o novo proprietário a recuperar os Paços Velhos de Alcanhões, impedindo a sua venda ou penhora. Hoje, ainda se conservam dois tanques, uma parte da torre de menagem e um antigo fontanário.

No início do século XVI, a povoação já era composta por cerca de 30 casas, um número considerável para a época. A partir de 1514, a povoação beneficiou de uma certa autonomia religiosa e, através de uma petição ao Prior de São Mateus, foi possível começar a realizar celebrações religiosas nesse lugar, pois tinham de percorrer uma longa distância para chegar à Igreja Paroquial da freguesia, localizada a cerca de 7 quilómetros das suas casas.

Finalmente, no dia 6 de outubro de 1852, estando no trono D. Maria II, o Cardeal D. Guilherme, Patriarca de Lisboa, concedia a total autonomia civil e religiosa a Alcanhões. Pode-se, assim, estabelecer esta data como o nascimento da freguesia alcanhoense e a sua separação da freguesia de São Mateus que teria sido extinto no ano anterior pelo mesmo cardeal. E assim, a freguesia da Ribeira de Santarém e de Alcanhões tornar-se-iam independentes uma da outra.

A 21 de março de 1928, Alcanhões foi elevada a vila por decreto assinado por Óscar Carmona, Presidente da República de Portugal na época, como resposta a uma proposta apresentada pelo Governador Civil de Santarém.

 

  • ETIMOLOGIA

    O topónimo de Alcanhões não tem uma origem bem conhecida, sendo ainda motivo de controvérsia. Há várias teorias. Uma delas, defendida pelo filósofo Adolfo Coelho, sugere que provém do vocábulo "canhões", à qual se antepôs o "al" árabe. Existe outra versão, esta defendida pela Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, que afirma que "Alcanhões" era uma palavra muito utilizada na região, outrora.

  • PERSONALIDADES

    Comendador Paulino da Cunha e Silva: Grande lavrador e proprietário, foi o fundador da Casa Agrícola dos Herdeiros de Paulino da Cunha e Silva, uma das casas agrícolas mais importantes de Portugal a partir dos finais do século XIX. Possuía um grande número de quintas e terrenos na região do Ribatejo e também na Estremadura. De entre as actividades desta empresa, destacam-se a criação de cavalos e touros, sobretudo para as lides tauromáquicas, os vinhos, os cereais e o azeite (em 1873, numa grande Exposição Internacional em Viena de Áustria, o azeite da Quinta da Comenda (Alcanhões) ali representado alcançou o primeiro prémio).

    Conselheiro Henrique de Barros Gomes: Faleceu em Alcanhões a 9 de Novembro de 1898. Este conhecido estadista foi ministro da Fazenda, da Marinha, dos Negócios Estrangeiros na altura do "ultimatum" de Inglaterra (foi ele quem redigiu o protesto oficial do Governo português contra o acto inglês), e foi ainda director e vice-governador do Banco de Portugal.

    Jacinto Rego de Almeida: Conhecido escritor e diplomata, exerceu funções de conselheiro económico na Embaixada de Portugal em Brasília. Nasceu em Alcanhões em 1942, tendo ido viver para o Brasil em 1968. Dos seus livros destacam-se "O Afiador de Facas" (1987), "O Monóculo" (1990) e "A Gravação" (1995) e, mais recentemente, "A verdadeira história do bandido Maximiliano" (2011) e "Paquita" (2015).

    Samuel Pimenta: Nasceu a 26 de Fevereiro de 1990, em Alcanhões, Santarém. Começou a escrever com dez anos e licenciou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa. Em 2012, venceu o Prémio Jovens Criadores na vertente de Literatura, promovido pelo Governo de Portugal e pelo Clube Português de Artes e Ideias. Recebeu, em 2014, a Comenda Luís Vaz de Camões, atribuída pela "Literarte –Associação Internacional de Escritores e Artistas", no Brasil, assim como o Prémio Liberdade de Expressão 2014, atribuído pela Associação de Escritores de Angra dos Reis, Brasil. Tem participado em diversas conferências e encontros literários nacionais e internacionais e tem colaborado com publicações em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Galiza. Atualmente, divide-se entre Lisboa e o Ribatejo, é cronista e escreve regularmente para o seu blogpessoal.

  • PATRIMÓNIO

    • Paços Reais de Alcanhões
    • Praça Glauco de Oliveira
    • Igreja Matriz de Santa Marta
    • Capela de Nossa Senhora das Maravilhas
    • Ruínas de Balneários Romanos
    • Mercado Local de Alcanhões
    • Fontanários
    • Parque de Merendas
    • Casa da Matança
    • Edifício Sede da Junta de Freguesia
    • Parque Infantil
    • Centro de Saúde

    Destaca-se no brasão de armas um chafariz em alusão às águas termais cloretadas sódicas para tratamento de doenças de pele e reumáticas, com resultados comprovados e classificadas como uma das melhores da Península Ibérica.

  • JUNTA DE FREGUESIA DE ALCANHÕES

    As últimas eleições para a Assembleia de Freguesia, em 2013, determinaram que a lista do Partido Socialista fosse aquela com maior representação com 40,87% dos votos. O atual presidente da Junta de Freguesia é Pedro Mena Esteves, atualmente no seu segundo mandato.

     

    Presidentes de Junta de Freguesia pós 25 de Abril 1974

    • Mandato 1977 – 1979: Manuel Aires Caetano Inês;
    • Mandato 1980 – 1982: Heitor Jesus Rum Correia;
    • Mandato 1983 – 1985: José Burlamaqui Gaspar;
    • Mandato 1986 – 1989: Manuel Aires Caetano Inês;
    • Mandato 1990 – 1993: José Burlamaqui Gaspar;
    • Mandato 1994 – 1997: António Manuel Simões Cordeiro Duarte;
    • Mandato 1998 – 2001: António Manuel Simões Cordeiro Duarte;
    • Mandato 2002 – 2005: António Manuel Simões Cordeiro Duarte;
    • Mandato 2005 – 2009: Luís Miguel Santana Justino;
    • Mandato 2009 – 2013: Pedro Guilherme Madeira Mena Esteves;
    • Mandato 2013 – 2017: Pedro Guilherme Madeira Mena Esteves.
  • FESTAS ANUAIS DA FREGUESIA

    • Festa do Vinho
    • Feira de Santa Marta
    • Festa da Nª Sra. das Maravilhas
    • Festa da Associação Popular de Alcanhões

Freguesia de Alcanhões
Praça Glauco de Oliveira, s/n
2000-367 Alcanhões
Telf: 243 429 794

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